sexta-feira, 3 de outubro de 2014

“Lindo Amor que Floresceu nas Páginas do Facebook”, é o novo título do cordelista Marciano Medeiros


“Lindo Amor que Floresceu nas Páginas do Facebook”, é o novo título do cordelista Marciano Medeiros

(Da redação)

O autor diz que trabalhou um ano elaborando essa história de ficção e que ambientou tudo em 2010, na cidade de Serra de São Bento/RN. Marciano Medeiros afirmou que procurou unir o clássico ao moderno, elaborando essa moderna e inesquecível história de amor acontecida no Facebook.
Trata-se da vida de João Pereira da Silva, conhecido por João Faxina. O cordelista declarou que este personagem surgiu através de um sonho que teve. Já algumas experiências vivenciadas na internet por ele e amigos, serviram para elaboração do enredo. Medeiros enfatizou que num sítio de Serra de São Bento existia uma menina chamada Jucileide, que era apaixonada por João Faxina, mas a jovem foi rejeitada em suas românticas pretensões amorosas.
Em maio de 2010 o moço João, começa a se interessar pelo Facebook, encontrando na possibilidade uma ferramenta moderna para lhe ajudar a encontrar um grande amor. A trama do cordel aborda problemas de discriminação, mostra as mudanças nos hábitos da sociedade nordestina, os perigos do namoro virtual e apresenta no mínimo três desfechos. O cordel está sendo impresso numa tiragem de mil exemplares e tem o patrocínio do jornalista Joaquim Pinheiro.
O romance é composto de 159 estrofes, diagramadas em 32 páginas. A capa mostra uma xilogravura de Erick Lima e o texto foi elaborado em sextilhas. Marciano Medeiros disse que irá divulgar seu novo cordel em todas as escolas que puder e que ficou muito feliz na criação deste novo e surpreendente romance, que divulgará Serra de São Bento de modo inimaginável por todo o Brasil. Toda a cena vivida pelos personagens principais se passa nas dependências da Escola Estadual Professor Joaquim Torres.
O poeta que integra a Academia Norte-rio-grandense de Literatura de Cordel é natural de Santo Antônio/RN, porém nunca perdeu o vínculo com Serra de São Bento, cidade onde se encontra todas as origens familiares do autor.



sábado, 5 de julho de 2014

Doutor Sócrates, um jogador pensador

Doutor Sócrates, um jogador pensador
Por Nando Poeta

Na vida do futebol
Têm drible, muitas jogadas.
É a arte em movimento,
Pessoas apaixonadas
Que deixam suas torcidas
Bastante emocionadas.

São craques que com a bola
Num campo de futebol.
Encenam lindas jogadas
Com um toque, vem o lençol
E pra delírio do povo
Que encontra o seu farol.

Eu vou falar de um gênio
Que na bola fez história.
Brilhou, foi estrela guia
Encheu o peito de glória.
E com seus passes e gols
Marcaram nossa memória.

Nosso Sócrates Brasileiro
Na escola, no esporte,
Formado em medicina,
Botafogo seu suporte
Trilhou na Ribeirão Preto
Com a bola encontrou o norte.

Chegando para o Corinthians
Foi o ídolo da torcida.
O manto alvinegro era
A sua maior guarida.
Um dos maiores atletas
De toda história vivida.

Dentro do Parque São Jorge
Forjou uma tabelinha.
O doutor faz parceria
Com o brilhante Palhinha.
Uma dupla especial
Sucesso dentro da linha.

O Brasil vivia a época
Do fim de uma ditadura.
E o gol do povo se torna
Um clamor pela abertura
Que outro país florisse
No enterro da tortura.

Brotando a sociedade
Num fervor contagiante.
Em que as mudanças surgissem
No país mais confiante.
Pra que tudo no Brasil
Pudesse seguir avante.

Seu tino pra consciência
Foi ver os livros do pai.
Durante a ditadura
No fogo queimando cai.
Foi o seu primeiro choque
Que na política abstrai.

E foi nas Diretas Já,
Sócrates fez seu golaço
Se engajando nessa luta
No povo deu um abraço
Querendo a democracia
Reinando aqui nesse espaço.

Vale do Anhangabaú 
Presente uma multidão.
O doutor em um comício
Sobre a emenda da eleição.
Diz: que fica no país
Se tiver aprovação.

E na luta social
Vai logo influenciando.
Lá dentro das quatro linhas
Um pensamento plantando.
O direito a liberdade
No gramado germinando.

Instala a democracia
Chamada Corinthiana
Que os atletas decidem
De forma mais soberana
Da qual o Doutor, se torna
O líder da caravana.

Uma visão coletiva
Presente o companheirismo.
Todos com a voz igual
Imperando o dinamismo. 
No Parque São Jorge brota
Um imenso vanguardismo.

O Corinthians fervilhava
A democracia dá salto.
O voto dentro do clube
Se ergue ao plano mais alto
Com todos pensando assim:
A liberdade eu exalto.

A imprensa batizou
Que era uma panelinha.
Quatro membros envolvidos
De uma mesma cozinha.
Excesso de liberdade
A ordem fora da linha.

Mas o movimento vivo
Se implanta a cada dia.
Envolvendo todo mundo
Fazendo a democracia
E o futebol no Brasil
Gerava uma sintonia.

Doutor Sócrates, Magrão
Era meia ou atacante.
Com o Calcanhar de Ouro
O passe passa brilhante.
E o gol de placa ecoava
Com alegria vibrante.

No campo ele desfilava
Com sua nobre elegância.
Um toque bem refinado
Na bola com exuberância.
O gol no fundo da rede
De perto ou à distância.

Sócrates foi um doutor
Da bola e da medicina.
Seus toques, passes precisos
Seus dribles que coisa fina
E quem lhe viu jogar bola,
Teve emoção repentina.

Jogando um futebol arte
Usando seu calcanhar.
O passe era de primeira
Jogada espetacular,
A torcida delirando
Não parava de vibrar.


Corre com a bola no pé
No juízo e pensamento.
Pronto para mais um lance
Pra quem diz que ele é lento.
A pelota vai ligeira
O gol surge no momento.

Um drible, um toque sutil
A bola vence o goleiro.
Era mais um gol de craque
Do Magrão, o artilheiro
Erguia o punho cerrado
Como faz um bom guerreiro.

Jogando dentro de campo
De cabeça sempre erguida.
Tocando a bola com classe
Arrasando na partida.
Derrotado ou vencendo
Sempre teve uma saída.

Um magro desengonçado
De uma grande habilidade.
Tinha um domínio da bola
De muita vitalidade.
Enxergava o jogo inteiro,
Na cara do gol invade.

Um dos seus passes famosos
Era o calcanhar de ouro.
Uma jogada de craque
Que valia um tesouro.
Quando o gol acontecia
A torcida dava estouro.

Lembrava que sempre em campo
Tem que ter dedicação.
Está entusiasmado
Ter foco, ter direção.
Entender que uma equipe
É fruto da união.

Quando Sócrates foi jogar
Com a camisa canarinho
Foi o Capitão da Copa
E Telê comanda o ninho.
Timaço de oitenta e dois
Recebe todo carinho.


Fez tabela com o Zico
Falcão, Cerezo e Oscar
Leandro, Luizinho, Junior,
Serginho, Eder, a jogar
Atrás tinha Waldir Peres
No gol disposto a fechar.

Nessa Copa a Seleção
Na Itália esbarrou.
Foi enorme a frustração
O sonho do Tetra acabou
E o gosto dessa derrota
Todo mundo experimentou.

Depois veio oitenta e seis 
Chegam as quartas-de-final.
O Doutor perdeu um pênalti
Guadalajara, o local.
Foi à França que parou
A seleção genial.

Vestiu a camisa ainda
Do time da Florentina.
Quando volta ao Brasil
Com o Flamengo se afina
E no Santos de Pelé
Faz passagem repentina.

Na Europa, na Itália
Fez nove gols na carreira.
Numa breve atuação
Sua volta foi ligeira.
Para jogar no Brasil
E no Rio fazer trincheira.

No Flamengo vinte jogos
Fez uma dupla com Zico.
Amigo de Seleção
De um futebol tão rico.
Mas pelo time da Gávea
Não chegou ao alto pico.

Quando era um garoto
Do Peixe foi torcedor.
No Clube do Rei Pelé
Chegou a ser jogador.
Foi só por vinte e três jogos
Foi tão rápido esse sabor.
  
Do Santos saiu em busca
De achar outra morada.
Ainda muito disposto
Quis seguir a caminhada.
Com seu futebol brilhante
Quer mais uma temporada.

Na carreira de um atleta
Tem momento de má fase.
Existem altos e baixos
Que abalam qualquer base.
E o Sócrates teve a dele
Que deixa a carreira quase.

De volta a Ribeirão Preto
No time que começou,
Tricolor botafoguense
Onde amizade plantou.
Com grande amor e carinho
Sua carreira encerrou.

Quando pendura a chuteira
Foi Técnico, articulista.
Do mundo do futebol
Também foi comentarista.
Na música e no teatro
No cinema foi artista.

Doente soltando a voz
Faz uma critica afiada.
Fala dos gastos com a Copa
Da grana que é desviada.
De um futebol de força
Que a arte é abandonada.

A sua irreverência
Foi marca por toda vida.
Dentro de campo e lá fora
Suas ideias dão partida.
Fez surgir no futebol
Respeito para quem lida.

No ano dois mil e onze
Com a saúde abalada.
Teve três internações
A última o fim da jornada.
O álcool foi um gol contra
Pra vida ser acabada.


As suas belas jogadas
Marcarão cada memória.
O jogador pensador
É parte de nossa história.
E o craque Doutor Sócrates,
Para o futebol foi glória.

Fazemos nossa homenagem
Para Sócrates, o Magrão.
Um jogador de talento
Da Seleção, Capitão.
Mentor da democracia

Nas fileiras do Timão.

terça-feira, 27 de maio de 2014

NOSSO JOGO VAI SER NA RUA E A LUTA VAI ROLAR.


NOSSO JOGO VAI SER NA RUA
E A LUTA VAI ROLAR.
Por Nando Poeta

Nessa Copa do Mundo no Brasil
Toda farra é feita pela FIFA
Onde o povo caído se espatifa
Na jogada perversa e pueril
Com seu pobre espírito mercantil
Abocanha o dinheiro do país
Deixa um mar de uma gente infeliz
Com moradas tombadas, demolidas
Triturando e marcando muitas vidas
Tem deixado o ricaço tão feliz.

Essa Copa ela muito tem servido
Pra esconder as mazelas sociais
Numa clara atitude de venais
O direito do povo é engolido
Num país em que povo tem sofrido
O Governo, a FIFA e empresários
Nesse trio de grandes ordinários
Seu legado da copa no Brasil
É a fome e a miséria que a mil
Tem seu time de craques salafrários.

O governo que é perna de pau
Que mergulha o país numa miséria
Diz: a Copa das Copas é coisa séria
Pilotando errada a nossa nau
Transformando o Brasil nesse mingau
Onde a fome é a seleção do mundo
E o troféu é erguido num segundo
Coroando o descaso governante
Dessa ação que é vil e degradante
Nesse jogo perverso e tão imundo.

Mas o campo do povo é a rua
Nesse jogo daremos goleada
A bandeira da luta levantada
Contra o roubo e toda falcatrua
Revelando a nação que vive nua
De saúde, de ensino e moradia
De não ter nem o pão de cada dia
E é por isso que a luta vai rolar
Terá gol e a massa vai ganhar
Do governo, da FIFA e a tirania.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

MENSAGEM DE FINAL DE ANO

Mensagem de Final de Ano

Que venha o ano novo
Por Nando Poeta

Que venha o ano novo
Repleto de desafios.
E que a força da gente
Mais forte de que dos rios
...Transborde, derrubem muros
Preencha os largos vazios.

São votos que desejamos
Pra vida seguir em frente.
Que em nossa caminhada
O amor se faça presente.
E a luta por igualdade
Esteja sempre vigente.

Com a força da união
2014 venha
Os sonhos realizados
Sendo a nossa luta, senha.
E a força da justiça
A vitoria sempre tenha.

Veja no Tributo ao Cordel os versos de Jose Walter Pires

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Poetas lançam cordel em homenagem a Chico Mendes


O LEGADO DE CHICO MENDES
Por Nando Poeta e Varneci Nascimento



Agora no dia 22 de dezembro de 2013 completam 25 anos do assassinato de Chico Mendes.
Os Cordelistas Nando Poeta e Varneci Nascimento com o compromisso em manter vivo o legado do líder ambientalista, escreveram um cordel que resgata toda sua trajetória de luta e a resistência dos povos das florestas contra a sua devastação.

A Amazônia gigante
Alimenta a nossa mente,
Com tanta diversidade
E história transcendente
Clamando por proteção
Da parte de toda gente.

Quem levantou sua voz
A favor da natureza
Regou com o próprio sangue
A mata e deu a certeza
Que quando a semente morre
Nasce com maior grandeza.


Veja o cordel na integra:

O LEGADO DE CHICO MENDES
Por Nando Poeta e Varneci Nascimento

A Amazônia gigante
Alimenta a nossa mente,
Com tanta diversidade
E história transcendente
Clamando por proteção
Da parte de toda gente.

Por causa dela, pessoas
Tombaram em sua defesa:
Seringueiros e indígenas,
Por amarem a natureza
Tornaram-se presa fácil
De quem só quer a riqueza.

Esse cordel foi buscar
Entrar na realidade
Dos nossos povos nativos
Na busca da igualdade,
Contra os ataques cruéis
Do clã da barbaridade.

A mata, os bichos e o povo
Moradores dessa terra
Sofrem tantas ameaças
Fruto da cruenta guerra
Feita com bala e machado
E a força do motor serra.

Quem levantou sua voz
A favor da natureza
Regou com o próprio sangue
A mata e deu a certeza
Que quando a semente morre
Nasce com maior grandeza.

Entre tantos que tombaram
Recordo Wilson Pinheiro
Desbravador, corajoso,
Líder nato e seringueiro
Foi morto covardemente
Do modo mais traiçoeiro.

Quem escolheu residir
Embrenhado nas florestas
Vive do que a terra dá
Corta a fome, tapa arestas.
Para celebrar colheitas
Realizam suas festas.

O solo fértil acreano
Foi palco do nascimento.
Xapuri tornou-se a mãe,
Do Chico cheio de alento
Que conquistou junto ao pai
Quando buscava alimento...

Trabalhou nos seringais
Na extração da borracha
Encantou-se com a floresta
Por isso Chico despacha
A luta contra os canalhas
Que em todo canto se acha.

Ainda jovem engajou-se
Na militância cristã
Onde atuou bravamente
Em prol de um novo amanhã
Na proteção do bioma
Tornou-se o maior titã.

Lá pelos anos sessenta
Do século que se passou
Conheceu um comunista
Que a Marx lhe apresentou.
Companheiro obstinado
Com quem se aconselhou.

Euclides Fernandes Távora
Havia sido um tenente
Que junto de Carlos Prestes
Disseminou a semente
Em prol do socialismo,
Isso o fez mais consciente.

Depois de um tempo preso
Em Fernando de Noronha
Esse tenente exilou-se
Na Bolívia a onde sonha
Com um mundo igualitário
Sem a falta de vergonha.

Vindo da Bolívia ao Acre
O Távora chega à fronteira.
Ao lado de Chico Mendes
Armou a maior trincheira
Na defesa da Amazônia
Foi a sua ação primeira.

No ano setenta e cinco
Concretizou a ideia
De fundar o sindicato
Da cidade Brasileia.
Junto aos trabalhadores
Começava a epopeia.

Junto a Wilson Pinheiro
Também foi o sindicato
Fundado em Xapuri
Para que de imediato
Seus vários trabalhadores
Se organizassem de fato.

Por esse mesmo período
Se elegeu vereador.
Mas viu que o MDB
Não era trabalhador.
Distante dos movimentos
Procurou outro motor.

Foi fundador do PT
Pela década de oitenta
Candidato a deputado
Uma vaga Chico tenta
Apesar de não ganhar
Buscou outra ferramenta...

Criou a CUT em seguida
Dela foi seu dirigente
Participou dos congressos
Nas greves se fez presente.
Debateu em muitos fóruns
A questão do ambiente.

Unidos todos na luta
Organizam seus empates
As mulheres e os filhos
Jamais fugiram aos combates
E na trincheira da vida
Acontecem os embates.

A onda capitalista
É máquina destruidora.
Extrai sangue da floresta
De maneira arrasadora
Quem se opõe contra eles
Enfrenta a metralhadora.

Chico Mendes disse um dia:
“Nunca mais um companheiro
Vai derramar o seu sangue
Ou de outro caminheiro
Juntos, seremos capazes
De salvar o seringueiro”.

Protegendo a natureza
O lugar de nossa gente
É onde aprende a viver
E criar naturalmente
Nossos filhos e animais
Dentro do meio ambiente.

Chico Mendes consciente
Que a seara ecológica
Tem dimensão mundial
Por compreensão e lógica
Seguiu o socialismo
Sem ideia demagógica.

Pela floresta Amazônica
Pulmão maior do planeta
Travou-se um combate extremo
De bala e de baioneta
Para salvá-la da morte
De roubalheira e mutreta.

Está nas mãos mais ousadas
O futuro da Amazônia
Contra os ataques hostis
De quem nos chama colônia
Contudo, será preciso
Batalhar sem cerimônia.

Era um verde e vermelho
A favor da ecologia,
Pelo bem de todo povo
Enfrentou selvageria
Um sonhador da floresta
Honesto e de valentia.

Homem de ação singela
Pragmático no labor
Agia a frente de quem
Considerava opressor.
Incompreendido foi
Uma vítima do terror.

Socialista convicto
Queria a revolução.
Por um planeta mais verde
Cheio de harmonização
Entre natureza e homem
Sem nenhuma agressão.

Dentro da bonita mata
Sob a sombra e a gruta
Enfrentou o latifúndio,
Homicida que desfruta
Do poder que mata quem
Não foge de uma labuta.

Até hoje os latifúndios
Patrocinam várias mortes
Esmagando os ribeirinhos
Tão resistentes e fortes.
Que clamam pelo socorro
Contra os variados cortes.

Não podemos esquecer
Da bonita trajetória
Dos que tombaram lutando
Porque marcaram a memória
De um coletivo inteiro
E se inscreveram na história.

Quem se opõe ao capital
Pode aguardar a matança
Ou perseguição cerrada
E a ponta de uma lança.
Do poder e do dinheiro
Que diariamente avança.

Proteger a Amazônia
É um dever do Estado
No entanto, o recurso
Para isto, destinado
Deixa o pulmão do mundo
Cada vez mais sufocado.

O Chico Mendes deixou
O seu legado de lutas
Um ensinamento caro
Porém as forças astutas
Procuram calar a voz
De pessoas resolutas.

Este Chico ecológico
Também foi socialista
Construiu a unidade
Como bom estrategista
Sabendo que a união
Fortalece o ativista.

Mas na penumbra da noite
A pistolagem atuou.
Um tiro dado de doze
Bem no seu peito cravou
Ele gritou: — Me acertaram
E no chão sem vida tombou.

A bala calou a voz
Gritante contra os algozes,
Mas eles se enganaram
Porque os sons mais velozes
Produzidos pelo Chico
Atingiu milhões de vozes.

A sua morte ecoou
Feito o grito mais profundo
Quem pensou que se livrava
De Chico num só segundo
Viu o clamor por justiça
Nos quatro cantos do mundo.

Essa batalha ferrenha
Fez sua vida encurtada,
Porém deixou um legado
Ao longo da caminhada
A árvore morta brotou
Muito mais frutificada.

Esse bioecologista
Vítima da mão homicida
Por enfrentar os desmandos
Sempre de cabeça erguida
Mas não tem bala que cale
Uma voz a favor da vida.

O compromisso na causa
O transformou em lendário
Por se tornar neste tema
O mais célebre visionário.
Que ao expor pensamento
Encontrou adversário.

O mundo passa a imagem
Desse ambientalista
Ser somente humanitário
Sem cunho socialista
Ocultando o seu combate
A praga capitalista.

Os inimigos da mata
São os latifundiários
Pecuaristas, madeireiros
Pensamentos ordinários
O agronegócio fecha
A lista dos mercenários.

No lugar que tem floresta
Querem fazer um regato.
Das árvores fazer madeira
Ir do couro ao sapato
A terra virar pastagem
É desejo imediato.

Tantos falam em seu nome
Em nossa atualidade
E fazem tudo ao contrário
Na mais pura falsidade
Porque negam sua essência
Ecológica de verdade.

Matá-lo não pôs o fim
Na luta da ecologia
A corrente que ficou
Batalha no dia-a-dia
Para punir quem destrói
O que a floresta cria.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

EM DEFESA DO CORDEL OU DE UM DOGMA DE FÉ

EM DEFESA DO CORDEL OU DE UM DOGMA DE FÉ

Sobre o matutes de Bob Motta escrito em sua coluna no último dia 23 de novembro, fiquei matutando.
O poeta fez algumas considerações na discussão sobre as origens do cordel.
Todo seu artigo faz a defesa implacável de um “Dogma de fé”
1) Que o cordel veio da Península Ibérica;
2) Que veio com os colonizadores;
3) Que o cordel é folclore;
4) Que o cordel era comercializado em cordões nas feiras.
Todas essas afirmações ao longo do tempo foram cristalizadas como verdades absolutas.
A verdadeira origem do cordel é essa e pronto.
 Não se pode apontar outro rumo.
E ai de quem se atreva em mostrar outro caminho.
Será proibido questionar esses pilares impostos como uma verdade absoluta? Discordar dessas certezas não será um direito legítimo? Ou para quem discorda daqueles que impuseram essas afirmações, merecem serem achincalhados?
Como o poeta Bob Motta fez:
Acusando de baboseiras e aberrações o que o poeta Varneci Nascimento apresentou no debate.
 Afirmando que o “papa do cordel” deveria tomar umas aulas.
Que deselegante.
Meu caro Bob Motta esse debate que se vem realizando em todo Brasil é legítimo, e busca colocar o cordel no centro das atenções, e que não foi a primeira vez que estamos discutindo aqui em Natal.
Já existiram vários momentos nesses últimos dois anos que temos travado esse debate.
 Infelizmente foi sua primeira participação.
E fique sabendo que os poetas não ficaram calados, já fizemos fortes debates sobre esse conteúdo.
Agora tudo isso que você, Bob Motta, externou em sua coluna poderia ter colocado nos vários momentos de debate proporcionado na I Semana do Cordelista, mas não o fez, ao contrário, se ausentou do debate no momento que acontecia entre os poetas.
Não acusem os poetas de estarem ouvindo as baboseiras em silêncio.
 Você não pode só está escrevendo no matuteis, teria que agir como um verdadeiro matuto. Falar as coisas na bucha.
Essa postura sua ficou longe.
Ao contrário do que você falou na sua coluna, esse debate vem para quebrar o dogma de fé, que sempre foi propalado como única verdade.
A sua coluna pode ser uma trincheira muito importante na propagação desse gênero literário.
Como por exemplo, dela ter divulgado a realização da I Semana do Cordelista.
Você poderia estar discutindo em sua coluna, por que o poder público não ajudou na realização desse evento?
Acho que isso ajudaria.
 Agora ficar só de torcedor, não é uma postura que contribua.
Entre no jogo, venha para o debate.
Abra sua coluna para que as diversas opiniões tenham o direito de se expressarem. O desafio está feito.
Vamos estimular a realização de ciclos de palestras sobre o cordel entre os poetas e interessados para que possamos todos estudar juntos as teses apresentadas por todas as vertentes.
Isso ajudaria e muito na nossa formação.
“Vamos ficar alerta e não aceitarmos como Dogma de fé”, o que foi estabelecido há séculos como verdade sobre a história do cordel.
Quanto a mandar o poeta Varneci Nascimento estudar, você deveria ter mais respeito pela história dos outros, pois ele é um menino que se formou em História na Universidade Estadual da Paraíba, portanto não é um a toa como sugere o seu texto.
 Chamá-lo ironicamente de “papa da literatura de cordel” e dizer que ele falou “aberrações” é no mínimo deselegante, com quem se mostrou tão amigo e simpático com todos os poetas de Natal e foi querido e respeitado por todos, basta olhar as postagens que os natalenses fizeram a respeito da passagem dele por aqui.
Nando Poeta