Cine
Cordel: do folheto à tela, o cordel em movimento!
Por Nando
Poeta
Há
histórias que não nasceram para ficar quietas.
Antes de ocuparem a tela, correram o mundo em versos rimados, ditos em voz alta
nas feiras, improvisados nas cantorias, impressos em folhetos passados de mão
em mão. O cinema brasileiro, muitas vezes, aprendeu a contar suas histórias
ouvindo o cordel.
Em um cenário marcado pela consagração massiva de
filmes comerciais estrangeiros, olhar para o próprio chão torna-se um gesto
político. É nessa direção que o Cine
Cordel, impulsionado pelo Ponto
de Memória Estação do Cordel, convida o público a deslocar o olhar e
reconhecer a força dos aspectos tradicionais na construção do cinema nacional,
como aponta Sylvie Debs ao revelar o diálogo profundo entre cordel e imagem em
movimento.
O Cine
Cordel nasce como uma série de textos e fragmentos de filmes dedicada a
revelar a relação entre o cinema e as formas tradicionais de expressão
artística do povo brasileiro. Em especial, a poesia cordeliana, escrita em
folhetos ou improvisada nas cantorias, que ao longo de décadas inspirou não
apenas temas, mas a própria linguagem do nosso cinema.
Essa aproximação não se fez apenas pelo cangaço,
pela comédia pícara ou pelo drama do sertão. O encontro mais fértil aconteceu
na forma de narrar: no ritmo da fala, na oralidade, na sátira social, no
sagrado misturado ao profano, na palavra que denuncia, ri da dor e transforma
sobrevivência em invenção.
Do poeta perseguido ao herói astuto, do julgamento
celestial ao drama do retirante, o cordel ensinou ao cinema um jeito popular,
político e profundamente humano de olhar o mundo. Não como curiosidade
folclórica, mas como matriz estética e narrativa.
A primeira
publicação da série será dedicada ao filme O Homem que Virou Suco, obra emblemática dessa travessia entre a
poesia cordeliana e o cinema brasileiro, e vai ao ar nas redes da Estação do Cordel nesta terça-feira, 03 de fevereiro.
O Cine
Cordel propõe um mergulho nessas travessias.
Do folheto à tela grande.
Da feira ao cinema.
Da poesia impressa à imagem em movimento.
Mais que
divulgação, é gesto de memória e formação cultural. Um convite para enxergar o
cinema brasileiro com outros olhos e reconhecer, em cada cena, a força da
palavra do povo.
Aqui
começa o caminho.
O verso já está em movimento.
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Referência
DEBS,
Sylvie. Cinema
e cordel: jogo de espelhos. Fortaleza; São Luís: Lume Filmes; Interarte,
2015. 256 p.

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