segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026


Cine Cordel: do folheto à tela, o cordel em movimento!

Por Nando Poeta

Há histórias que não nasceram para ficar quietas.
Antes de ocuparem a tela, correram o mundo em versos rimados, ditos em voz alta nas feiras, improvisados nas cantorias, impressos em folhetos passados de mão em mão. O cinema brasileiro, muitas vezes, aprendeu a contar suas histórias ouvindo o cordel.

Em um cenário marcado pela consagração massiva de filmes comerciais estrangeiros, olhar para o próprio chão torna-se um gesto político. É nessa direção que o Cine Cordel, impulsionado pelo Ponto de Memória Estação do Cordel, convida o público a deslocar o olhar e reconhecer a força dos aspectos tradicionais na construção do cinema nacional, como aponta Sylvie Debs ao revelar o diálogo profundo entre cordel e imagem em movimento.

O Cine Cordel nasce como uma série de textos e fragmentos de filmes dedicada a revelar a relação entre o cinema e as formas tradicionais de expressão artística do povo brasileiro. Em especial, a poesia cordeliana, escrita em folhetos ou improvisada nas cantorias, que ao longo de décadas inspirou não apenas temas, mas a própria linguagem do nosso cinema.

Essa aproximação não se fez apenas pelo cangaço, pela comédia pícara ou pelo drama do sertão. O encontro mais fértil aconteceu na forma de narrar: no ritmo da fala, na oralidade, na sátira social, no sagrado misturado ao profano, na palavra que denuncia, ri da dor e transforma sobrevivência em invenção.

Do poeta perseguido ao herói astuto, do julgamento celestial ao drama do retirante, o cordel ensinou ao cinema um jeito popular, político e profundamente humano de olhar o mundo. Não como curiosidade folclórica, mas como matriz estética e narrativa.

A primeira publicação da série será dedicada ao filme O Homem que Virou Suco, obra emblemática dessa travessia entre a poesia cordeliana e o cinema brasileiro, e vai ao ar nas redes da Estação do Cordel nesta terça-feira, 03 de fevereiro.

O Cine Cordel propõe um mergulho nessas travessias.
Do folheto à tela grande.
Da feira ao cinema.
Da poesia impressa à imagem em movimento.

Mais que divulgação, é gesto de memória e formação cultural. Um convite para enxergar o cinema brasileiro com outros olhos e reconhecer, em cada cena, a força da palavra do povo.

Aqui começa o caminho.
O verso já está em movimento.

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Referência

DEBS, Sylvie. Cinema e cordel: jogo de espelhos. Fortaleza; São Luís: Lume Filmes; Interarte, 2015. 256 p.

 

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