segunda-feira, 7 de setembro de 2026

CARTA DE REIVINDICAÇÕES DOS ARTISTAS E TRABALHADORES DA CULTURA DO RIO GRANDE DO NORTE ÀS CANDIDATURAS AO GOVERNO DO ESTADO

PELA CULTURA COMO DIREITO, TRABALHO, MEMÓRIA E POLÍTICA PÚBLICA

O Rio Grande do Norte possui uma riqueza cultural construída pela contribuição dos povos originários, das populações negras, das comunidades tradicionais e dos trabalhadores e trabalhadoras que, ao longo das gerações, criaram, preservaram e reinventaram formas de expressão, saberes e práticas culturais.

São mestres e mestras da cultura popular, artistas, poetas, cordelistas, repentistas, cantadores, grupos de teatro, dança e música, brincantes, bonequeiros, artesãos, produtores, técnicos, pesquisadores, coletivos culturais, pontos de cultura e tantos outros sujeitos que mantêm viva uma produção cultural diversa em todas as regiões do Estado.

Apesar dessa riqueza, as políticas públicas de cultura ainda não respondem plenamente às demandas do movimento cultural potiguar. Persistem lacunas no financiamento, na continuidade das ações, na manutenção dos equipamentos culturais, na preservação do patrimônio, no apoio aos mestres e mestras, nos mecanismos de descentralização dos recursos e na garantia de condições dignas para artistas e trabalhadores da cultura desenvolverem suas atividades.

A cultura não pode continuar dependendo apenas de editais eventuais, recursos emergenciais ou da boa vontade dos governos de ocasião. A descontinuidade das políticas públicas compromete grupos, espaços e trajetórias construídas durante décadas. Muitos artistas e coletivos seguem enfrentando a precariedade, a informalidade e a ausência de condições materiais para garantir a continuidade de seu trabalho.

Defendemos que a cultura seja reconhecida como direito da população, dimensão essencial da educação e da vida social, campo de trabalho e instrumento de preservação da memória e da diversidade cultural. Não pode ser tratada como mero adorno, entretenimento ou atividade secundária.

Por isso, consideramos necessário avançar para uma política cultural de Estado, construída com participação efetiva dos artistas, trabalhadores, coletivos e movimentos culturais, com planejamento de longo prazo, transparência, descentralização e garantia permanente de recursos públicos.

Um dos caminhos fundamentais para superar a instabilidade do financiamento cultural é instituir, por meio de legislação estadual, um percentual mínimo do Orçamento Geral do Estado destinado à cultura, assegurando recursos permanentes, protegidos contra contingenciamentos e capazes de sustentar políticas continuadas. Propomos que as candidaturas assumam o compromisso de debater e construir uma política de vinculação orçamentária que responda às reais necessidades do setor cultural potiguar.

Essa medida deve fortalecer o Sistema Estadual de Cultura e garantir investimentos para a criação, produção, circulação, formação, preservação da memória, manutenção dos equipamentos culturais e apoio aos mestres, grupos e coletivos de todas as regiões do Rio Grande do Norte.

REIVINDICAMOS DAS CANDIDATURAS AO GOVERNO DO ESTADO O COMPROMISSO COM:

1. A destinação de 2% do Orçamento Geral do Estado para as políticas culturais, garantindo recursos permanentes, suficientes e não contingenciados para o desenvolvimento da cultura em todas as regiões do Rio Grande do Norte.

2. A criação de espaços culturais e de uma política de habitação para artistas, com a destinação e transformação de prédios públicos para abrigar os movimentos culturais, escolas de artes, espaços de formação, criação e apresentações artísticas, incluindo a transformação do prédio da antiga Casa do Estudante em uma Habitação dos Artistas e a criação do Memorial das Artes – MARTE, como espaço permanente de referência para os artistas e movimentos culturais.

3. A construção e consolidação de um Sistema Estadual de Cultura, com estrutura, legislação, planejamento, financiamento e participação social, incluindo a criação de um Conselho Estadual de Políticas Culturais, órgão colegiado, deliberativo, democrático e representativo. A medida deve fortalecer a elaboração do Plano Estadual de Cultura e a participação do Rio Grande do Norte na construção democrática do Sistema Nacional de Cultura e do Plano Nacional de Cultura, com protagonismo dos movimentos culturais.

4. A garantia de eleições diretas e democráticas para o Conselho Estadual de Cultura, assegurando uma representação efetiva dos diversos segmentos, linguagens e regiões culturais do Rio Grande do Norte.

5. A descentralização dos investimentos e das ações culturais, garantindo que os recursos públicos, os equipamentos e as programações culturais alcancem todas as regiões do Estado, superando a concentração histórica na capital.

6. A valorização dos mestres e mestras da cultura popular, com políticas públicas que garantam condições materiais para sua sobrevivência e para a continuidade de seus saberes, fazeres, grupos e comunidades culturais.

7. A revisão e o aumento dos valores do Registro do Patrimônio Vivo – RPV, tanto para pessoas físicas — mestres e mestras — quanto para entidades e grupos culturais, garantindo também a regularidade dos pagamentos e evitando atrasos e interrupções.

8. A criação e manutenção de políticas permanentes de fomento à cultura, que não se limitem a editais esporádicos, assegurando continuidade para artistas, grupos, coletivos, espaços, iniciativas e projetos culturais.

9. A democratização das políticas de editais, com a participação dos movimentos culturais na elaboração dos critérios, formatos e prioridades dos editais públicos, garantindo maior transparência, acessibilidade e respeito à diversidade cultural do Estado.

10. A revisão da Lei de Incentivo à Cultura Câmara Cascudo, buscando democratizar o acesso aos seus recursos, ampliar a participação de artistas, produtores e iniciativas independentes e reduzir a concentração dos investimentos culturais.

11. A seleção e o financiamento de projetos culturais estruturantes, garantindo recursos que possibilitem não apenas a realização de eventos isolados, mas a implementação, continuidade e consolidação de iniciativas culturais de relevância para as comunidades e regiões.

12. O fortalecimento dos Pontos de Cultura, coletivos e iniciativas culturais comunitárias, reconhecendo seu papel na produção cultural, na preservação da memória e na democratização do acesso à arte.

13. A manutenção, recuperação, ampliação e democratização dos equipamentos culturais públicos, incluindo teatros, museus, bibliotecas, arquivos, memoriais, centros culturais e outros espaços de criação, formação e circulação artística.

14. A criação da Caravana da Arte, com uma programação permanente de música, dança, teatro, poesia, João Redondo e outras expressões culturais, desenvolvendo ações nas quatro regiões de Natal — Zonas Norte, Sul, Leste e Oeste — e nos municípios do interior do Estado.

15. A democratização da Feira do Livro e dos eventos literários, com incentivo à participação de editoras independentes, escritores, coletivos, movimentos literários e demais agentes da cadeia do livro, garantindo sua participação também na organização e construção das programações.

16. A integração entre cultura e educação, garantindo o acesso às diferentes linguagens artísticas, à cultura popular e ao patrimônio cultural em todos os níveis de ensino, fortalecendo projetos de formação e aproximando escolas, artistas e comunidades.

17. A implementação de políticas de formação, qualificação e valorização dos trabalhadores da cultura, contemplando artistas, técnicos, produtores, gestores, pesquisadores, educadores e demais profissionais do setor.

18. A preservação da memória e do patrimônio material e imaterial do Rio Grande do Norte, com investimentos em pesquisa, documentação, registro, salvaguarda, difusão e transmissão dos saberes entre as gerações.

19. A garantia da diversidade cultural, com políticas voltadas às expressões indígenas, negras, quilombolas, periféricas, populares, tradicionais e às diferentes linguagens e manifestações culturais existentes no Estado.

20. A transparência na aplicação dos recursos públicos destinados à cultura, com ampla divulgação dos investimentos, critérios de seleção, resultados e instrumentos de participação e controle social.

21. A realização de um amplo Encontro Estadual sobre Política Cultural, reunindo artistas, trabalhadores, mestres e mestras, coletivos, grupos, gestores, pesquisadores e movimentos culturais para discutir os desafios do setor e construir propostas para uma política cultural permanente no Rio Grande do Norte.

A arte e a cultura são produzidas diariamente pelo trabalho, pela criatividade, pela memória e pelos saberes do povo. Defendê-las significa também defender o direito de criar, preservar, transmitir, produzir, trabalhar e acessar os bens culturais.

Esta Carta é apresentada às candidaturas ao Governo do Estado como um chamado ao compromisso público com uma política cultural que enfrente as lacunas ainda existentes, reconheça a diversidade da produção potiguar e assegure recursos permanentes, participação social e condições materiais para que a cultura possa existir e se desenvolver em todo o Rio Grande do Norte.

Não queremos uma cultura dependente apenas de medidas temporárias, editais ocasionais e governos de ocasião. Defendemos uma política pública permanente, democrática, descentralizada, com orçamento garantido e participação efetiva dos próprios sujeitos que fazem a cultura acontecer.

PELA REALIZAÇÃO DE UM ENCONTRO ESTADUAL SOBRE POLÍTICA CULTURAL!

POR 2% DO ORÇAMENTO DO ESTADO PARA AS POLÍTICAS CULTURAIS!

POR POLÍTICAS PÚBLICAS QUE GARANTAM CONDIÇÕES MATERIAIS PARA OS MESTRES, ARTISTAS, TRABALHADORES, GRUPOS, COLETIVOS E MOVIMENTOS CULTURAIS!

ACADEMIA NORTE-RIO-GRANDENSE DE LITERATURA DE CORDEL – ANLIC-RN

PONTO DE MEMÓRIA ESTAÇÃO DO CORDEL

INSTITUTO PINDORAMA DE ARTE E CULTURA

SOCIEDADE DOS POETAS VIVOS E AFINS – SPVA

SLAN RIMA CENTRAL

CARTA DOS ARTISTAS E TRABALHADORES DA CULTURA DO RN


 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

O Estado me pediu perdão, mas a memória não silencia!

Por Nando Poeta

Fui oficialmente anistiado em 2013, durante a Caravana da Anistia Convergência Socialista. Ainda assim, meu processo só foi concluído no fim de 2025, atravessado por contestações, recursos e manobras burocráticas que tentaram, até o último instante, reduzir o peso da história. O pedido de perdão veio tarde. E não apaga as marcas deixadas no corpo, na vida e no caminho de quem ousou sonhar em tempos de medo.

Minha formação política começou cedo. Em 1979, ingressei no curso de Metalurgia da então Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte, hoje IFRN. Levava comigo mais que cadernos: carregava inquietação. Minha infância fora atravessada pela ditadura, quando álbuns de figurinhas estampavam, logo na primeira página, os rostos dos generais-presidentes. Médici, Geisel. Autoritarismo naturalizado em papel colorido. Guardo esses álbuns até hoje como prova de um tempo que tentou normalizar o arbítrio.

No fim dos anos 1970, troquei figurinhas pela escuta atenta das canções de protesto, pela leitura que despertava perguntas, pelas conversas sussurradas nos corredores. Recusei-me a ficar de pé, toda quinta-feira, para cantar o hino nacional como ritual vazio de obediência. Permanecer sentado era um gesto simples, quase invisível, mas profundamente político. Não era rebeldia gratuita: era resistência.

Éramos vigiados. Sempre. Olhos atentos circulavam pela escola. Um órgão do Estado fichava estudantes cujo único “crime” era pensar. Para falar da realidade brasileira, buscávamos refúgio na arquibancada do campo de futebol, durante o intervalo. Ali, longe dos arapongas, a resistência começava a ganhar forma.

Era o fim da ditadura, sob o governo Figueiredo. As ruas começavam a ferver. As greves ressurgiam desde 1978. O grito contra o regime ganhava corpo. Em 1981, na Escola Técnica, organizamos uma chapa de oposição ao Centro Cívico, controlado pela gestão. Tínhamos 16, 17 anos e uma fome imensa de futuro. Perdemos. O processo era viciado. Mas a derrota nos empurrou para algo maior: a construção de um partido, na época, enraizado na luta da classe trabalhadora.

Em 1982, já no curso de Edificações, participei das mobilizações pela meia-passagem e pelo direito à cidade. Sonhava com um estágio na Petrobras. Esperei. Insisti. Nada. Meu pai recorreu ao compadre deputado, ex-diretor da Escola. A resposta foi direta: meu nome não fora encaminhado porque eu “me envolvia em movimentos”. Até hoje me pergunto o que constava nas fichas que escreveram sobre mim.

Fui para a construção civil. Caminhava do Alecrim à Avenida Bernardo Vieira para pegar o caminhão da empresa. Almoçava feijão ralo, tripa, charque, farinha e arroz. Comida simples, digna, feita por Serafim, um funcionário da Construtora. Acompanhava mutuários na entrega das casas na Cidade do Satélite, apontava defeitos, exigia correções. Resultado: fui dispensado. Queriam silêncio. Eu oferecia dignidade.

Na empresa seguinte, em 1982, na construção do Santarém na Zona Norte de Natal, recusai-me a acompanhar operários a um comício eleitoral. No sábado, veio a demissão por “não colaborar com a empresa”. Saí sem arrependimento.

Em 1983, ingressei na UFRN, no curso de Ciências Sociais. Queria compreender as engrenagens da exploração que eu já conhecia na pele. Em 1984, vivi as Diretas Já, as greves, a Ocupação da Reitoria. Seis dias de luta intensa. Fiz parte do Comando Geral de Ocupação. História viva.

Tudo isso, cada passo meu, foi monitorado até 1990. Da Escola Técnica à universidade, da militância estudantil à vida profissional. Em 2010, solicitei meus registros ao Estado. Eles vieram. Pesados. Detalhados. Cruéis. Mostrei à minha mãe. Ela chorou. Não compreendia como um filho “tão bom” podia ter sido tratado como bandido.

Em 2013, veio a anistia oficial. O perdão, porém, seguiu sendo contestado, reduzido, burocratizado. Até nisso, a perseguição insistiu. Mas não me quebrou.

A militância nunca foi fardo. Foi escolha. Foi escola. Foi abrigo e trincheira. Chego aqui mais convicto: lutar vale a pena. Dedico esta trajetória à minha irmã, Mauricléia, minha luz e companheira de batalhas.


 


Cine Cordel: do folheto à tela, o cordel em movimento!

Por Nando Poeta

Há histórias que não nasceram para ficar quietas.
Antes de ocuparem a tela, correram o mundo em versos rimados, ditos em voz alta nas feiras, improvisados nas cantorias, impressos em folhetos passados de mão em mão. O cinema brasileiro, muitas vezes, aprendeu a contar suas histórias ouvindo o cordel.

Em um cenário marcado pela consagração massiva de filmes comerciais estrangeiros, olhar para o próprio chão torna-se um gesto político. É nessa direção que o Cine Cordel, impulsionado pelo Ponto de Memória Estação do Cordel, convida o público a deslocar o olhar e reconhecer a força dos aspectos tradicionais na construção do cinema nacional, como aponta Sylvie Debs ao revelar o diálogo profundo entre cordel e imagem em movimento.

O Cine Cordel nasce como uma série de textos e fragmentos de filmes dedicada a revelar a relação entre o cinema e as formas tradicionais de expressão artística do povo brasileiro. Em especial, a poesia cordeliana, escrita em folhetos ou improvisada nas cantorias, que ao longo de décadas inspirou não apenas temas, mas a própria linguagem do nosso cinema.

Essa aproximação não se fez apenas pelo cangaço, pela comédia pícara ou pelo drama do sertão. O encontro mais fértil aconteceu na forma de narrar: no ritmo da fala, na oralidade, na sátira social, no sagrado misturado ao profano, na palavra que denuncia, ri da dor e transforma sobrevivência em invenção.

Do poeta perseguido ao herói astuto, do julgamento celestial ao drama do retirante, o cordel ensinou ao cinema um jeito popular, político e profundamente humano de olhar o mundo. Não como curiosidade folclórica, mas como matriz estética e narrativa.

A primeira publicação da série será dedicada ao filme O Homem que Virou Suco, obra emblemática dessa travessia entre a poesia cordeliana e o cinema brasileiro, e vai ao ar nas redes da Estação do Cordel nesta terça-feira, 03 de fevereiro.

O Cine Cordel propõe um mergulho nessas travessias.
Do folheto à tela grande.
Da feira ao cinema.
Da poesia impressa à imagem em movimento.

Mais que divulgação, é gesto de memória e formação cultural. Um convite para enxergar o cinema brasileiro com outros olhos e reconhecer, em cada cena, a força da palavra do povo.

Aqui começa o caminho.
O verso já está em movimento.

#CineCordel #Cordel #CinemaBrasileiro #CulturaPopular #PoesiaDoPovo #Memória #Nordeste

Referência

DEBS, Sylvie. Cinema e cordel: jogo de espelhos. Fortaleza; São Luís: Lume Filmes; Interarte, 2015. 256 p.

 

domingo, 9 de novembro de 2025

 


9º Círculo Natalense do Cordel

O Ponto de Memória Estação do Cordel realiza, de 13 a 15 de novembro de 2025, o 9º Círculo Natalense do Cordel, no Centro Histórico da Cidade Alta, em Natal-RN. O evento celebra os 160 anos de Leandro Gomes de Barros, o pai do cordel brasileiro, com o tema “Leandro Gomes de Barros: a permanência da poesia cordeliana na atualidade”. A programação inclui feira de cordel, mesas de ideias, lançamentos literários, cortejos culturais, saraus, shows e oficina de xilogravura com o mestre Josafá de Orós (PB).

Consolidado como um dos mais importantes encontros da cultura cordeliana potiguar, o Círculo reúne cordelistas, repentistas, educadores, artistas e o público em geral para celebrar a arte independente, a liberdade de expressão e a força da poesia nordestina. Durante três dias, a Praça Padre João Maria e espaços culturais vizinhos serão tomados por versos, rimas, xilogravuras e música popular.

As inscrições estão abertas:
🔗 Círculo: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScU_4biUmpY4fPvYhDOAWUaIl-lb3ShErwTmo-d4FA1OTGXGQ/viewform?usp=header
🔗 Oficina de Xilogravura: https://linkdireto.co/oficina
Contato para informações:
📧 estacaodocordel@gmail.com
📞 (84) [99817-1692/98811-3695]
📱 @estacaodocordel


PROGRAMAÇÃO OFICIAL

9º CÍRCULO NATALENSE DO CORDEL

 

13 a 15 de novembro de 2025
Centro Histórico da Cidade Alta – Natal/RN
Tema Central:
Leandro Gomes de Barros: 160 anos do Pai do Cordel e a permanência da poesia cordeliana na atualidade

📅 DIA 13 • QUINTA-FEIRA

08h — Café com Poesia
📍 Estação do Cordel

09h30 — Abertura Oficial
Mesa institucional: ANLiC-RN, Academia de Trovas, SPVA, Instituto Histórico e Geográfico do RN e a Academia de Cordelista de Alagoas(AALC)

10h às 22h — Feira de Cordel na Praça

10h às 12h — Mesa de Ideias
O Boi Misterioso: ecos da escrita indígena no cordel
• Mediadora: Tonha Mota (RN)
• Palestrantes: Aderaldo Luciano (PB) e Carlos Alberto (RN)
📍 Instituto Histórico e Geográfico do RN

12h — Exposição: Xilos de Barros: homenagem a Leandro Gomes de Barros no Bardallos

13h30 — Mesa de Ideias: A presença da xilogravura nos folhetos de cordel
• Mediadora: Adélia Costa (RN)
• Palestrantes: Josafá de Orós (PB), Letícia Parenga (RN) e Alcides Sales(RN)
📍 Bardallos

15h — Entre Quatro Versos, um Universo
• Mediadora: Tereza Custódio (RN)
• Participações: Hélio Alexandre(RN), Francisco Gabriel(RN) e Marciano Medeiros(RN)

📍 Estação do Cordel

16h30 — Lançamentos Coletivos
Poemas de Quinta (Pedro César) • Se Pensamento Falasse (Hérculys França) •
Acerta o Passo • Mocoronga (Célia Bombom) • A lenda do Carro Caído(Simone Maria) • No tempo que eu era grande(Marcelus Bruce) • O oficio do historiador e da historiadora/O dia que Bandica deu pra Budega(Cláudio Wagner) • Antropormorfismo em o Cachorro dos Mortos de Leandro Gomes de Barros(Tin Tin Alves).

17h30 — O Som da Capoeira
• Grupo de Capoeira Escolar — Rodrigol

18h — Cortejo
Cordão do Boi Misterioso

18h30 — Roda de Conversa
Morte, Vida e Manguebeat: caminhos da criação e da crítica social

  • Lançamento do cordel de Adaécio Lopes

19h15 — CORDELUTAS: mulheres que andam com cordéis

20h — Show de Hérculys França: EU E OUTROS NÓS – Participação de Débora Souza e Adélia Costa

20h30 — Show: Coco na Praça com Coco da Marruá

📅 DIA 14 • SEXTA-FEIRA

09h — Roda de Cordel com as Escolas
10h às 22h — Feira de Cordel na Praça

13h30 — Mesa de Ideias
O Cordel na Trilha Potiguar: memória, cultura e resistência
• Mediadora: Geralda Efigênia (RN)
• Palestrantes: Nando Poeta (RN) e Mané Beradeiro (RN)
📍 Instituto Histórico e Geográfico do RN

15h – Cantoria
Homenagem de Felipe Pereira e Helânio Moreira a Leandro Gomes de Barros

15h30 – Mesa de Ideias
Tema: Leandro Gomes de Barros: a pedra angular do cordel brasileiro

  • Mediador: Aderaldo Luciano (PB)
  • Palestrante: Guttemberg Pereira de Farias (PB)

17h – Lançamento de Livro
Leandro Gomes de Barros e os Primórdios do Cordel Brasileiro
📍 Local: Instituto Histórico e Geográfico do RN

17h30 — Aélcio do Mamulengo na Praça

18h — Lançamento
Livro Valores Rimados: Cordéis que transformam — Filipe Borges

18h30 — Sarau na Praça
Filipe Borges • Chico de Iaiá • Cláudia Borges • Nando Poeta • Tonha Mota •
Ester Havenna • Tin Tin Alves(SP)

19h — A Arte Litero-Musical de Marconi Blanco e Jussiara Soares
Entre o Poético e o Sonoro

19h30 — Igor Gomes & Xara — Assim é o Forró

20h-22h — Show: Pé de Serra na Praça — No Ritmo da Tradição
Com Tonha Mota, João Aranha e o Bando de Fabião

📅 DIA 15 • SÁBADO

09h às 16h — Oficina de Xilogravura
• Facilitador: Josafá de Orós (PB)
📍 Estação do Cordel

10h — Mesa de Ideias
Do Repente ao Cordel: 70 anos do Congresso dos Trovadores e a construção do Congresso Brasileiro do Cordel
• Mediadora: Cláudia Borges (RN)
• Palestrantes: Maryana Damasceno(AL), e Nando Poeta (RN)
📍 Estação do Cordel

12h — Almoço com Arte – Tribuna Lítero Musical na Estação do Cordel

14h — Mesa de Ideias
Cordel Antirracista: poesia como denúncia e libertação
• Mediadora: Tonha Mota (RN)
• Palestrantes: Célia Bombom e Ana Célia (Quilombo Raça e Classe)

📍 Estação do Cordel

15h30 — Lançamento Oficial
3º Concurso da Estação do Cordel — Prêmio Goretti Gaivota

16h30 — Grupo Sexta Musical

17h30 — Da Peleja ao Microfone
Cordel, Batalha de Slam e Rap na Luta Antirracista

  • Batalha de TAG

19h30 — Show de Viola e Cordel na Praça
Marcos Teixeira & Manoel Soares


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025


CORDEL:

A LUTA É NOSSA LIÇÃO

POR NANDO POETA

  

Foto de Leilton Lima


Senhora Governadora

És fruto do movimento.

Nesta bancada da luta

Colhesse teu pensamento.

Levou chuva, sol, poeira

Dormisse em acampamento.

 

A luta sempre foi árdua

Cada dia uma batalha.

As nossas conquistas foram

Sempre no fio da navalha.

Enfrentando governantes,

Duro igual uma muralha.

 

Os ventos sopraram forte

Querendo abalar a luta.

Com o vil Geraldo Melo

Aplicando a força bruta.

A brava categoria

Teve força na disputa.

                                                                                                                               

Você era dirigente

Da nossa categoria.

Enfrentou os governantes

E a prática da tirania.

O Sindicato com a base

Numa envolvente harmonia.

 

Nas ruas marchando firme

Pelo centro da cidade

Praça Sete de Setembro

Foi palco da liberdade

De peito aberto e unidos

Contra a força da maldade.

 

Cavalaria e soldados

Reprimindo o movimento.

A greve uma forte arma

Era o nosso instrumento.

Sem baixar nunca a cabeça

Se fazia o enfrentamento.

 

Foi bem nos anos oitenta

Que a greve ecoava forte.

No Brasil Greves Gerais

Guiando, dando o suporte,

E aqui na esquina do mundo

A luta foi dando o norte.

 

Um sindicato de luta

Forjado na união.

Com todos que habitavam

Na escola, o seu chão.

Agora eram mais fortes

Com sua unificação.

 

O Sinte erguido, guiava

Funcionários, Professores

Somando o caminho da luta

Juntos com Supervisores.

No Extraclasse estampava

A luz de Orientadores.

 

Veio José Agripino

Também Garibaldi Filho

Um sindicato na luta

Nunca deixou o seu trilho,

Conduzindo as nossas vidas

Encenou com muito brilho.

 

A luta seguindo em frente

Ecoou nas eleições.

Com os dirigentes do Sinte

Eleitos nas votações.

Junior Souto e Mineiro

Fátima ganhou corações.

 

A categoria toda

Se sentiu representada

Só que a vida real

Mostrou a carga pesada.

Seus antigos dirigentes

Ficou na encruzilhada.


As batalhas não cessaram

Seja qual for o cenário.

Veio a Vilma e a Rosalba

A luta foi o rosário.

Pela a escola democrática

E por ter justo um salário.

 

E no Governo de Robson

Não foi muito diferente.

Um setor do sindicato

Foi um defensor ardente,

Dentro daquele governo

Misturou-se com a serpente.

 

E foi nessa breve história

Que a Fátima palmilhou.

Sua carreira política

Nesse Brasil despontou

E lembra que a lei do piso

Foi ela que relatou.

 

Quando um governo negava

A pagar a lei do piso.

Dizendo não ter dinheiro

Que o governo estava liso.

Fátima dizia: - É mentira

Não pagar é prejuízo.

 

Na sua voz contundente

Argumentava bem forte:

- O piso é lei, faça valer

Não pode perder o norte.

- Pague o piso, ou pague o preço

Lutaremos até a morte.

 

Foi sempre esse o recado

Muitas vezes da tribuna.

Com sua voz afiada

Na sua mão a borduna.

Mostrando que o governo

Escondia toda fortuna.

 

Agora no Executivo

Repete essa ladainha.

Que o governo não tem grana

E nem pode sair da linha.

Pisando, esmagando o piso

Mexendo na panelinha.

 

Fátima Bezerra, se ligue

Não rasgue a lei do piso.

Atenda logo essa pauta

Ponha a mão em seu juízo.

Você foi a relatora

Agora, traz prejuízo.

 

A greve foi a lição

Que você mais propagou.

Agora no seu governo

Um prato com fel provou.

Sem o piso não tem aula

Nossa assembleia aprovou.

 

A greve tem aumentado

É a nossa fortaleza.

A categoria unida

Vencerá, com a destreza

De quem segue consciente

Com força da correnteza.

 

Não aceitamos assédio

Pois é justo o movimento.

Os celetistas só querem

Ter um mesmo tratamento..

Um terço de férias e o décimo

Atrasar é um tormento.

 

Queremos que a nossa pauta

Seja logo atendida.

O Plano do Servidor

Venha logo em seguida.

A lei de Escola integral

Que seja logo parida.

 

É urgente minha gente

Ter reforma na escola,

Algumas que são entregues

Fizeram uma meia sola.

Pra nossa população

O governo não dá bola.


  Pedimos ao nosso povo

A total compreensão.

Pois a greve que fazemos

Defende a educação.

Não queremos que ela fique

Se arrastando no chão.

 

Obs: Feito em 24 de fevereiro de 2022, atualizado em 28 de fevereiro de 2025 em Natal-RN.




 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Concurso de Poesia Francisca de Assis Borges – "De Assis"
Regulamento do Concurso de Poesia de Cordel "Mulheres em Luta Contra a Opressão, a Violência Doméstica e o Feminicídio"

1. Objetivo:
O concurso tem como objetivo promover a expressão artística por meio da poesia de cordel, destacando a resistência das mulheres brasileiras contra a opressão, a violência doméstica e o feminicídio, em homenagem a Francisca de Assis Borges.

2. Tema:
As participantes deverão criar poemas de cordel que abordem o tema "Mulheres em Luta Contra a Opressão, a Violência Doméstica e o Feminicídio", reafirmando a luta das mulheres contra qualquer tipo de violência.

3. Estrutura dos Poemas:
Cada poema deverá ser composto por 8 estrofes de setilhas, respeitando a tradição do cordel.

4. Abrangência:
O concurso é aberto a mulheres de todo o território nacional.

5. Premiação:
Os três primeiros lugares serão premiados da seguinte forma:

·         1º Lugar: R$ 3.000,00

·         2º Lugar: R$ 2.000,00

·         3º Lugar: R$ 1.000,00

6. Publicação em Antologia:
Além dos três primeiros lugares, serão selecionados mais 57 poemas para compor a antologia "Mulheres em Luta".

7. Inscrições:
Podem participar mulheres a partir de 16 anos, apresentando um texto autoral inédito, composto por 8 setilhas (respeitando rima, métrica e oração). O texto deve ser digitalizado na fonte Arial, tamanho 12, em formato Word, com indicação do título e do pseudônimo. As inscrições devem ser enviadas para o email: estacaodocordel@gmail.com.
Cada participante deve pagar uma taxa de inscrição de R$ 50,00,por cada poema inscrito, através do Ponto de Memória Estação do Cordel, no Pix: 84998171692 (Fernando Antonio Soares dos Santos).

8. Premiação Adicional para Selecionados:
As 60 participantes selecionadas receberão um exemplar do livro contendo todos os poemas da antologia.

9. Organização:
O concurso será organizado pelo Ponto de Memória Estação do Cordel.

10. Prazos:

·         Período de inscrições: 01 de dezembro de 2024 a 31 de março de 2025.

·         Divulgação do resultado: 01 de maio de 2025.

·         Lançamento da Antologia "Mulheres em Luta" e premiação: Novembro de 2025, durante o 9º Círculo Natalense do Cordel.

11. Avaliação:
Os poemas serão avaliados por um júri competente, considerando criatividade, aderência ao tema e qualidade poética.

12. Considerações Finais:
Ao participar, as concorrentes concordam em ceder os direitos autorais para a inclusão na antologia.

13. Contato:
Para mais informações, entre em contato pelo email: estacaodocordel@gmail.com ou pelo WhatsApp (84) 998171692 (Nando Poeta)

 


 

sábado, 14 de dezembro de 2024

DISCURSO DE POSSE DE NANDO POETA NA PRESIDÊNCIA DA ACADEMIA NORTE-RIO-GRANDENSE DE LITERATURA DE CORDEL (ANLIC)

Confrades e confreiras, amigos e amantes do cordel,

Elaborar uma descrição de 600 caracteres sobre a posse da nova diretoria da Academia.nesta sexta feira 13 Nando Poeta é empossado na Presidencia da Academia Norte-Rio-Grandense de Literatura de Cordel junto com a nova diretoria, o cordelista Nando poeta, proferiu em seu discurso:

Com o coração pulsando de emoção e o espírito carregado de responsabilidade, assumo hoje a presidência da Academia Norte-Rio-Grandense de Literatura de Cordel. Este momento marca um capítulo especial em minha caminhada, uma travessia que se entrelaça com os versos do cordel, essa arte que é luta, memória e sonho. O cordel nos conecta ao passado que nos moldou e nos impulsiona para um futuro a ser escrito com poesia e resistência.

Antes de tudo, rendo minha homenagem a Tonha Mota, que liderou nossa Academia com firmeza e delicadeza nos últimos seis anos. Desde a fundação do Ponto de Memória Estação do Cordel, em 2017, Tonha tem sido um farol na luta pela valorização do cordel, inspirando-nos com seu legado. Minha profunda admiração e gratidão a você, Tonha. Agradeço também aos confrades e confreiras que abraçaram e apoiaram a formação desta nova diretoria, confiando em nosso compromisso de avançar e fortalecer ainda mais a nossa Academia.

Nos últimos anos, temos testemunhado o florescer do cordel e do repente no solo potiguar. Entramos no século XXI com um punhado de poetas que cabiam na palma da mão, um grupo restrito, mas repleto de paixão. Hoje, duas décadas depois, demos um salto que ecoa pelos sertões e cidades: o cordel potiguar cresceu e se ramificou em inúmeros espaços de propagação dessa arte.

Movimentos como o dos poetas mirins e o brilhantismo de homens e mulheres que conquistam prêmios em concursos pelo país revelam a força dessa tradição. Entidades como a Casa do Cordel, a Academia de Trova, e o Ponto de Memória Estação do Cordel simbolizam essa expansão e consolidam o cordel como um pilar vivo e pulsante da cultura potiguar. Este avanço não é apenas motivo de orgulho, mas um chamado à responsabilidade de fortalecer ainda mais essas raízes.

Vivemos tempos contraditórios: enquanto o cordel é reconhecido como patrimônio imaterial do Brasil, ainda enfrentamos o abandono das políticas públicas, que ignoram sua importância cultural e histórica. Cabe a nós, cordelistas e defensores dessa arte, resistir, inovar e avançar. Aceitamos este desafio com o compromisso de conduzir esta Academia por um único mandato, renovando nosso estatuto e incentivando a participação ativa de todos os acadêmicos na construção de uma gestão plural e vibrante.

Nosso Brasil, tão rico em diversidade, ainda permite que equipamentos culturais como o Memorial Câmara Cascudo e o Museu Café Filho se transformem em cenários de descaso e esquecimento. Ao mesmo tempo, instituições como a nossa enfrentam a carência de espaços para florescer. Não podemos aceitar a cultura relegada às sombras. Nossa Academia será uma trincheira luminosa, em defesa da arte do cordel e de sua presença viva no cotidiano do nosso povo.

O cordel é muito mais que poesia; é o murmúrio das águas e o sussurro do vento nas veredas de nosso chão. É o grito do trabalhador e o canto do oprimido. É o retrato do povo em busca de justiça. Neste ano renovamos nosso compromisso com essa tradição, fazendo dela um instrumento de transformação e esperança.

Nossa gestão será guiada pela valorização do cordel como arte e ferramenta de inclusão, com ações que buscam ampliar seus horizontes e preservar sua essência. Entre nossas propostas, destaco:

  1. Formação e Capacitação – Oferecer oficinas e cursos para educadores e jovens talentos, formando novas gerações de poetas.
  2. Atividades Itinerantes – Realizar encontros em diferentes regiões, levando o cordel aonde o povo está.
  3. Preservação do Patrimônio – Criar um memorial físico e digital para eternizar a história do cordel potiguar.
  4. Reconhecimento e Valorização – Instituir o Troféu Cordel Potiguar e lançar antologias anuais para celebrar nossos talentos.
  5. Parcerias Estratégicas – Fortalecer vínculos com universidades e outras instituições culturais, consolidando o espaço do cordel no cenário nacional.

6.    Promover a criação de um fórum não governamental que reúna instituições como a ANLIC, a Comissão Norte-Riograndense do Folclore, a Academia de Trovas, a Casa do Cordel, o Ponto de Memória Estação do Cordel, entre outras. Esse fórum deverá articular e construir, de forma colaborativa, uma pauta estratégica que represente os interesses e demandas do setor cultural, para ser apresentada de maneira unificada aos gestores públicos.

7.    Lutaremos incansavelmente por mais investimentos na cultura do nosso estado, pois não podemos nos calar diante dos atrasos no pagamento dos RPV destinados aos mestres e espaços culturais, responsabilidade que o governo insiste em negligenciar. É inadmissível aceitar o abandono dos equipamentos culturais públicos; nossa luta é por ocupá-los e revitalizá-los, devolvendo à sociedade espaços de arte e convivência.

8.    Rejeitamos, com veemência, a dependência das chamadas "emendas pix" dos parlamentares, que buscam transformar os movimentos culturais em meros currais eleitorais. Nosso compromisso é com uma cultura livre, autônoma e acessível, onde a arte seja reconhecida e valorizada como um direito de todos e não como moeda de troca política.

Convido cada um de vocês a caminhar ao nosso lado. Que os versos do cordel sejam nosso estandarte e que a poesia seja nossa espada, abrindo caminhos para um futuro onde nossa arte ocupe o lugar de destaque que merece. Unidos, faremos do cordel uma bandeira de luta, de cultura e de liberdade.

Reafirmo, com a força dos versos e a coragem dos poetas, meu compromisso com o presente e o futuro do cordel. Viva o cordel brasileiro! Viva a cultura popular!                                                              Natal, 13 de dezembro de 2024.